quinta-feira, 7 de julho de 2011

Hata ve Yalnizlik

"Amar a pessoa errada é a mesma coisa que amar ninguém."

"Pela primeira vez na vida, acreditei por uma fração de segundo que a Globo pudesse melhorar suas novelas. Convenhamos, por mais que digam que é uma monotonia e que o final é sempre com os atores sem contas para pagar e felizes para sempre, a maioria das pessoas perde o seu precioso tempo assistindo a essa "ilusão".
É claro: todos querem um tempinho - ao menos em casa - para fugir da triste realidade.

Essa frase entrou meio polêmica na minha cabeça.
Não sei se pela certeza da afirmação, ou pela brincadeira com a palavra "amor" (como se fosse um verbo qualquer).
E, coincidentemente, eu tenho uma forte ligação com a minha melhor amiga que, em seguida, comentou sobre essa frase e conversamos muito. Ela ganhou inspiração e escreveu uma bela entrevista (aliás, me lembrou muito um post meu - QUE, POR ACASO, O NOME NA URL MUDOU DO NADA! :O).
Cabe a mim postá-la aqui, por possuir uma flor tão delicada e sensível que amo regar e sustentar diariamente."

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LUZ, CAMERA E AÇÃO!

Está começando mais um Programa...er. (Bem, nem eu sei o nome, é simplesmente um programa de entrevistas.)

Assunto de hoje: Amar a pessoa errada é a mesma coisa que amar ninguém?

Nossa entrevistada do dia é a Flor.

P – Programa
F – Flor

P : Olá Flor, como vai?
Diga-nos: Amar a pessoa errada é a mesma coisa que amar ninguém?

F : Oi. Simplesmente vou. Respondendo à pergunta: Às vezes, acreditamos que o amor existe... Sim, sempre ele, o tal do amor. Pensando por um lado egoísta: De que vale o amor se, quando tu mais acredita e quer, ele vai embora e te deixa em milhões de pedaços?

Acredito que o ‘amor’ seja uma obsessão por algo ou alguém, obsessão aquela que a gente acostuma com a ‘convivência’ ou, simplesmente, escolhe e depois fecha os olhos para o resto do mundo.

Sabe o que é mais engraçado? Isso já aconteceu uma vez, e eu sei que logo virá mais um!

O que leva uma pessoa a cair novamente no mesmo buraco (mais conhecido como: cometer o mesmo erro)? Vou contar-lhes uma história:

“Uma vez uma flor se apaixonou por um lobo, mal sabia ela que esse era o pior erro da sua vida. Não existe amor entre uma flor e um lobo. A flor serve para ficar onde está, onde nasceu, não é a toa que tem raízes. Já o lobo serve pra ficar por aí, vagando, procurando o que mais lhe fascina: o vermelho, mas não é qualquer vermelho. É aquele que pode entendê-lo, aquele que o conhece perfeitamente sem ao menos ter o tocado uma vez. Partindo disso, a flor que é vermelha é a mais perfeita aos olhos do lobo, entretanto a que mais sofre, pois um dia acreditou que viveria do seu sangue e acabou se deixando levar pelas suas histórias e experiências, viveram juntos por um tempo e ela acreditou que era feliz. Bem, o final não é feliz...

O amor (obsessão) que a flor sentia pelo lobo era tamanho que fazia aquela floresta ficar iluminada. Até que um dia, a fera chegou e falou que partiria levando consigo a bela flor e a floresta apagou. Tempo depois, estava a flor de volta. E a floresta? Continuou apagada.

Hoje, a flor não tem mais seu brilho e é apenas mais uma que foi pintada de escarlate e achou que poderia mudar o pensamento de um lobo vagal..."
[Texto de
Fie Cruz, adaptado.]

Então, é por isso que hoje eu odeio vermelho e amo a pessoa errada. *entre risos* Ninguém.

P : Muito obrigado pela sua paciência e atenção. Essa foi a experiência da Flor em relação ao amor, ficamos por aqui, obrigado pela audiência e até a próxima.

F : Tá...

[Pensamento da Flor]
"Mal sabem eles que eu tenho um amor.
Do meu jeito, mas tenho.
E é esse amor que me faz continuar, me visita todos os dias e me rega com seu carinho e verdade, me ouve quando eu não pronuncio uma palavra se quer, suga minhas lágrimas e as obsorve para baixo da terra.
Minha raíz.
Sem ti eu não eu não existiria.
Muito obrigada pelo espaço para dividir a dor de ser pintada da pior cor do mundo: o vermelho."

Música do momento:
"Katy Perry - Last Friday Night (T.G.I.F)"

terça-feira, 24 de maio de 2011

Um descontentamento contente

"Toda euforia não é real. É apenas uma forma de desequilíbrio..."
Isso porque aula de Literatura, assim como o Lord Byron, inspira qualquer um...

Segunda Geração do Romantismo - Ultrarromântica ou Mal do Século.
É tudo simplesmente perfeito.

Álvares de Azevedo escreve poemas com o tema morte, ceticismo e irreverência, dúvida e tédio.
É claro que não poderíamos esquecer que sua inspiração foi originada a partir dos grandes nomes literários: Musset, Shelley e o maravilhoso Byron.
Casimiro de Abreu não fica pra trás, o espetacular e virgem poeta da Saudade. Saudade da pátria e da sua infância (idealizada, obviamente), utilizando a característica do escapismo.

Mas com que objetivo esses dois poetas escreviam?

Depois de inspirados pelo livro de Byron, repleto de mistério, descobriram que apenas um enigma ainda não poderia ser, de fato, desvendado: a morte.

Como um quebra-cabeças,
por mais que
você
tenha todas as
peças,
não é sempre que
você compreende o
que montou ou
sabe

o seu verdadeiro
significado.
Tudo bem se você nunca montou um;
ainda mais aquele de mais de mil peças.
É confuso.
Como o nada.

Nada de melodrama aqui.
Quem escreve todas essas palavras (des)conexas é a própria mente de um Álvares de Azevedo, que morre (literalmente, uma semana após escrever "Se eu morresse amanhã!") de curiosidade a fim de entender o que a morte reserva do lado desconhecido.
E quem responde é o Casimiro de Abreu, idealizando sua infância com os jardins, as flores e as suas angiospermas, achando que tudo podia ser perfeito. Com um toque de mal-du-siècle, tudo fica mais fácil.

C.A.: "Pois é, Azevedo. Resolvi inovar (eu sei, é a segunda ou terceira vez que lhe digo isso). Tenho saudade do tempo em que estudava, gostaria que, se não retornar, ao menos agora eu possa escrever algumas palavras que me lembre tudo o que fora bom. Ou melhor, vou idealizar. Quero compaixão vindoutros e amor-próprio para mim. Me arrependi do exílio [Portugal]. Brasil é tudo de bom: é carnaval, futebol e miscigenação!"

A.A.: "Concordo contigo, Abreu. Entretanto, eu quero mais é a morte. Lá, a morte também está presente e é nisso em que vou me inspirar para escrever. Lord Byron quem me ensinou e pretendo levar esse legado literário ao Fagundes Varela. Ultimamente, ando meio desanimado com a vida [depressão], ela tem sido injusta comigo..."

C.A.: "Ah! Morte, morte e mais morte! Você não acha que existe outras maneiras de fugir da realidade, sem ser por esse caminho obscuro?"

A.A.: "A única coisa de que tenho certeza é que, se eu morresse amanhã, iria ao menos fechar os olhos da minha triste irmã (aquela que eu não tenho)... O problema é essa dor no peito [tédio] que me devora; se eu morresse amanhã, ao menos ela emudeceria..."

C.A.: "Dor no peito? Pode ser problema de coração, Azevedo! Infarto... Já foi ao médico?"

A.A.: "Que nada. O remédio para essa dor maldita só se manifestará se sentarmos em um bar na Cidade Baixa e tomarmos um chopp, pois tenho de lhe contar as histórias de cinco homens com finais trágicos que ainda me dão ânimo para cada dia..."

C.A.: "Certo, certo... Amor, Morte e Bebida! Nada como passar a Noite na Taverna..."



Para o meu querido e melhor amigo Azevedo...

Cacá
.

domingo, 24 de abril de 2011

Bells of Freedom

"Sem se dar conta, já era tarde: lágrimas corriam pelo rosto tão jovem, cheio de inocência. A maquiagem borrava e espalhava-se por toda a bochecha. Manchas negras. De ódio, sem pudor.
Ao que parecia, a garota provavelmente se perguntava o porquê de tudo aquilo. Nunca entendera o que era o sofrimento e porque ele machucava tanto. Era uma dor aguda, e talvez nem tão forte... mas incomodava. Ela poderia ser mais persistente, rasgar seu peito em dois, quatro, dez ou mil pedaços e não gostar de paz. Afinal, a paz é para os fracos, sussurrava a dor para a garota já sem tanta vida assim.
Certa manhã, ela acordara cansada, mais que o habitual. Havia recebido uma surra por todo o seu corpo, permanecia quase imóvel. Dor incompreensível. E depois de tantos anos, ela realmente achava que o sofrimento simplesmente esvaíra-se pelo céu. Diante o seu quintal, ajoelhou-se no meio deste, com o corpo adormecido, recebendo o sol radiante que banhava suas curvas delicadas. Tão lindo quanto um fax - deslizava desde a flor desenhada no calcanhar até os seios pequenos e arredondados. O seu rosto, infelizmente, o sol negou: não gostaria de iluminar uma expressão tristonha e cheia de ódio - era o que tinha se transformado - que não mudara no passado.
E ficou ali, rezando sabe-se lá para quem, desejando, pedindo, agradecendo ninguém sabe como... somente acreditava que seu pedido, um dia, pudesse ser realizado.
O tempo passou. É claro, o tempo sempre passa. Tic tac do relógio; incessável.
(...)
Dessa vez -acreditavam, ou ao menos diziam que -, era sério. O relacionamento estava de mal a pior e ninguém desejava a desgraça um para o outro.
Ela tinha encontrado outra pessoa e ele sofreu muito, penou todos esses anos e seu castigo foi, nada mais nada menos, que superar todo o resto da sua vida sem ela.
Ela dizia eu volto para os seus braços , se você acreditar em mim.
Ele negava, ah injustiça!; porque deveria dar esse tempo e deixar ele passando por esse sufoco interminável?
O anjo nunca mais falou com ele, e o outro já havia esquecido. O anjo visitava os seus pensamentos - e não os braços dele, era muito longe! - que acordavam-no toda a noite e ele rezava, pedia para sei lá quem pudesse ajudá-lo a trazer o esquecimento.
O esquecimento era impossível. Ninguém nunca esquece uma pessoa, especialmente um anjo tão delicado quanto ela era.
E até que um dia ela retornou.
"Eu sou a única pessoa passageira que você conheceu. As outras pessoas vão entrar na sua vida e você vai lembrar dos momentos juntos, das alegrias e das tristezas... mas...e de mim?
Nem mesmo o abandono você um dia compreenderá, entenda apenas que ele fora necessário. Você amadureceu e, finalmente depois de tanto tempo, soube o que é o sofrimento.
Portanto, não queira ele nem para o seu pior inimigo: ele poderá ficar sem rumo, assim como aconteceu com você. É claro que para tudo, há uma recompensa digna..."

Sem terminar direito o discurso, o anjo fechou os olhos e pousou (que asas branquinhas!) nos braços dele, com o rosto iluminado pelo sol, (ir)radiando o mais belo e sincero sorriso."


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Eu gostei bastante desse "mini-conto" (porra, um conto já é pequeno...imagine o mini! Pois aí está, bem diante de seus olhos!).
Eu fico feliz e supercuriosa com esse papo de tu não saber quem é a pessoa do início, nem meio e fim. (Não lembro de ter aparecido no texto que, - questão de interpretação, hein? - a garota do início, era realmente o anjo do fim. E o cara então, nem se fala... mais desconhecido, impossível.)
Na verdade, era uma história que ainda estou planejando bem pra escrever (não pretendo publicar, até porque é pra ser breve)... mas o melhor de tudo é: é uma história real.
Entretanto, sem um fim.
Quem disse que os anjos não existem?


[Feliz Páscoa! ^^]

sexta-feira, 22 de abril de 2011

O pouco faz muito.

Não podemos fingir por muito tempo que tudo está bem.
Absolutamente normal: seres humano.
É, eu também lamento por isso.
Humilhação, não.
Uma leve dose de consciência e bom senso, e tudo resolver-se-á.

Inacreditável o que me aconteceu nesse exato momento.
Sim, tiveram outros como esse, mas o de hoje foi único.
Foi espontâneo.
Todos nós desejamos demonstrações espontâneas, sejam elas ruins ou não.
Ninguém gosta de demonstrações ruins.
E a de hoje, pra mim, foi boa por demais.
Atenção:
pela primeira vez na vida (ou será que segunda? tanto faz...) tive a sensação de que velhos amigos valem bem mais que os novos.
Tu tem noção de quem tá dizendo isso?
A criadora desse blog, a escritora desses posts, a mimada dos infernos:
"Preciso conhecer gente nova."
Vivo à base dessa frase, porque ela simplesmente me leva ao delírio.
Não preciso fazer a conta de quantos amigos ficaram pra trás,
nem de quantos consegui manter contato e que hoje falo muito pouco,
nem mesmo os que nem tenho assunto...
mas existem. Eu sei que estarão sempre alí.
É só querer.
É só procurar.
Tipo cachorro quando foge do canil: só resta buscar; correr atrás.
A sensação só me apareceu porque uma pessoinha (é claro que não vou falar quem é, porque valerá pra mais de uma pessoa. Ah, a verdade? É anti-ético, meu bem...) que cumprimentei no MSN, depois de um booom tempo, me respondeu com toda a felicidade do mundo, como se nunca havíamos conversado (o que, de fato, não deixa de ser isso mesmo). E isso me deixou muito feliz.
Não sei se posso considerar amigo. O que quero dizer é que é aquele conhecido, tenho uma intimidade que só nós dois sabemos lidar e que...bom, isso basta. É o que torna a nossa "amizade" muito especial.
Deixando mais claro: quase um tio.
Não é tio porque não é tão velho assim, apesar de ser mais velho que eu. Mas é que tio é tio, né. Irmão do pai. Aquele que quando tu fala algo, sorri de um jeito mais descontraído, ele sabe do que se trata, tim tim por tim tim.
E foi assim no MSN, apesar de eu ter sorrido só depois de ele ter me cumprimentado. E o sorriso veio, involuntário. Juro que o adjetivo não foi levado em conta, o afeto realmente compensou e passou por cima, berrando de felicidade pela oportunidade de poder falar comigo.
Foi assim também em um sábado aí, em que estávamos no mesmo ambiente.
Lindo.
Espetáculo.
Eu trocava de música e dizia "vem, vamos dançar!" e ele olhava - muito surpreso - e pensava como eu havia mudado, agora com meus dezoito anos, depois de tanto tempo.
Dezoito anos.
É.
Dezoito anos não são nada.
E o pensamento, diferente de muitas pessoas, nunca foi olhando pro meu corpo, dizendo com malícia "é, minha pequena, tu realmente cresceu!", entendem?
Ao menos nunca encarei assim, e nem conseguiria.
É aquele olhar cheio de ternura, preenchendo todas as cavidades esburacadas do meu músculo "bombeador" (sei lá se existe isso... haha, quanto rodeio pra falar do coração!) e recheando com um toque de doçura, carinho e muita consideração.
E basta um olhar desses pra minha vida girar: girar a ponto de me fazer refletir se eu realmente quero ou preciso conhecer gente nova, ao invés de buscar os meus velhos companheiros cheios de histórias novas pra contar...
Mesmo que esse companheiro não seja bem meu.

Fiz questão de deixar esse momento, por mais breve que seja (se comparado aos outros posts, é claro), registrado aqui. Pouco me importo aos que não lerão ou aos que perderão o precioso tempo lendo esse post.
Ele é importante pra mim e sei que, em seguida, fecharei a página do blog, ansiosa para que "meu tio" me cumprimente de novo, relembrando os velhos tempos dos quais a chuva (eterna) trás.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Comodismo é...

Por que diabos os sentimentos das pessoas vêm diminuindo?
Não é uma simples resposta, é...
Portanto, resumo esse post desde o início, a fim de deixar você pensativo em todos os motivos que podem também influenciar nisso:
o comodismo.
Ele aparece assim, de repente, sem nem avisar... e acaba se instalando.
Você, pura inocência, nem sabe como lidar. E aí vai deixando, deixando...


Eu não faço ideia porquê a porra do Google associou a minha linda palavra comodismo com a fábula "Raposa e as Uvas" de Esopo. Prossigamos.
Então a gente faz assim: no geral, comodismo vem de CÔMODO, óbvio. Algo que está acomodado (finalmente um prefixo -a que não é de negação!) é algo que se encaixou alí e agora acha que alí é o seu lugar.
Você já parou pra pensar se comodismo vier também de COMUM?
Se a resposta foi "sim", meus parabéns. Acabou de desvendar um bicho de sete cabeças: se algo que está acomodado acha que alí é o seu lugar e que, de agora em diante, isso passa a ser comum... ele REALMENTE está no seu lugar. A partir de agora, a rotina será igual, tudo não passará de um grande ciclo tedioso...
E se, além de "cômodo" e "comum", a palavra fosse uma junção desta última com ROMANTISMO?
Isso é o que geralmente tenho visto e tem chamado muito a minha atenção.
Dois casos que são muito frequentes, atualmente:

-Namoro-Quase-Eterno: nem sei se ainda podemos considerar namoro, depois de tanto tempo. Nada contra quem namore três anos pra mais (admiro e acho muito lindo), mas MUITA gente já me reclamou algo como "é, eu ainda tento buscar..." ou "acho que não conseguiria mais terminar..." ou até mesmo "...porque não me imagino mais sem ele[a]". Pelamor, desde a Pré-História, o homem é nômade. Depois que virou sedentário, surgiu a divisão pelo trabalho, as classes e o prato principal: a poligamia (aceita ainda em alguns poucos países). Esse papo de monogamia é papo furado. Ou seja, conclusão pra essa merda toda: se teu namoro já passou de 3 anos e ele[a] ainda não te traiu... ótimo. Isso é o que você acha. A realidade é que tudo caiu na rotina e não tem mais o que fazer. A busca por novos cheiros, toques, sensações em geral é o que o homem quer. E isso é comum, acredite. Questão de instinto.

-Namoro-Feriado (tem quase todo mês): uma pessoa termina com a outra e no outro dia já está morrendo de amores por outra pessoa. Isso não existe. Certamente não entrarei em detalhes quanto ao sentimento "amor", mas vou me referir dele como se soubesse e entendesse do assunto (a interpretação fica de acordo com o que cada pessoa já vivenciou). O que na verdade existe é uma atração ou paixonite. Sim, isso sim é possível. Mas não amor, amor é outra coisa. É comum namorar uma pessoa e, do nada, achar que uma outra que você conheceu hoje te abalou de uma forma inigualável.
O problema é que as pessoas insistem em confundir sentimentos (como o amor), colocando-os por cima do verdadeiro instinto. Você não se interessou (se for ele, por exemplo) pelo jeito meigo e tímido que ele fala, pelas palavras delicadas e selecionadas ou pelo carinho enorme que ele tem por ti. Você gostou do cheiro, da linha tênue do maxilar, do peitoral levemente estufado, dos cabelos enegrecidos e sedosos... enfim, o que lhe atraiu foram poucas de muitas outras sensações do próprio corpo "necessitado" (no sentido de sempre querer buscar novas sensações) e que desde muuuuito tempo foi assim.
O outro problema é que, como você acha que já está amando, resolve pedir a pessoa em namoro. E aí que tá a merda: você acha que ama, quando na verdade é só uma explosão de sensações que acabam mexendo com o seu psicológico. E a pessoa aceita, por comodismo: pra ela, tanto faz como tanto fez... um namoro sempre é "bem vindo" para a maioria das pessoas.
E os sentimentos, como ficam?
Pois é, os sentimentos que se fodam.

Aí fica aquela coisa meio desvalorizada... ninguém sabe mais amar, todo mundo gosta de todo mundo e ainda por cima acha que, mesmo se enganando dessa forma, todos saem da história muito felizes.
Antes que pense algo... não, eu não passei por isso em momento algum na minha vida e já namorei. Muito menos quero colocar só a culpa no instinto... talvez você me julgue agora por eu não saber administrar os meus sentimentos...
...mesmo insistindo que não ocorrera comigo.
Apenas fiz o post porque, realmente, como nunca antes, tenho tido mais amigos reclamando desse tipo de coisa e isso me fez pensar.

Ah!
Para quem ainda não entendeu, a palavra era COMUM + ROMANTISMO = COMODISMO.
E se a resposta da segunda pergunta desse post imbecil é "não"... aperte alt + f4 e pense você também sobre a palavra.

Não se acomode como as pessoas comuns que você e eu já conhecemos.
Não vá deixando...deixando...

sábado, 19 de março de 2011

Beijo! Tchau. Tu, tu, tu...

Finalmente: atendimentos e despedidas no telefone.
Sou campeã de tais fenômenos.
Assim, eu simplesmente odeio telefone. É pior que o bicho papão.
Dá medo olhar aquele aparelho comprido, alguns ainda com antena, outros não. Cheio de botões feito um celular, o botão de liga é verdinho e o de desliga é vermelho.
Números e mais números. E daqui a pouco ele cantarola aquele toque polifônico irritante e que infelizmente você tem que atender.
Vai que é urgência - afinal, seus pais sempre lhe ensinaram assim.

Eu ainda não sei com que objetivo eu tô escrevendo isso.
Ok, na verdade eu tinha um objetivo, mas eu deixei ele pra trás. Assim como muitas coisas na vida que você também vai deixar.
E eu tô aqui perdendo meu tempo porque eu to sem sono. A porca gorda aqui foi dormir às 13:30 e colocou o celular pra despertar às 14:30, e acordou às 17:15. Com a cara inchada, já diria um professor meu.
Só um lembrete: eu AMO abacate com todas as minhas forças.
Prosseguimos, então, primeiramente com três tipos de atendimentos mais comuns:

- "Alô? Muuuito bom dia! Aqui quem fala é..."
Educados:
sempre tem um maldito desses que enche o teu ser/espírito. Não sei se de amor ou de ódio.
Amor porque... bom, é sempre muito tri receber um bom dia, por mais que tu não conheça a pessoa. Já recebi bom dia, boa tarde e boa noite de desconhecidos (e não era um vendedor) e me senti o máximo. Parece que é conhecido (de anos), embora não seja.
Ódio porque o teu dia foi uma merda, tu fez tudo errado, se atrasou pro encontro, esqueceu o que tinha de levar e ainda não pagou o que faltava. Você está devendo desde a semana retrasada. E aí alguém vem com aquela frase ali, como se o teu dia realmente estivesse sendo bom. Ou como se a pessoa do telefone quisesse invejar porque o dia dela foi espetacular, do contrário do teu que não chegou nem perto de um espetáculo. Só se for de palhaçada.

- "Alô? Por gentileza, eu gostaria de falar com a responsável pela conta do aparelho tal. Ela se encontra?"
Telemarketing: eles não gostam de fazer esse serviço e você muito menos de recebê-lo.
Assim, eu mandei um currículo pra isso aí, como se eu realmente fosse gostar (já que odeio falar ao telefone). O problema não é o trabalho, é medo do aparelho mesmo. Ok, mentira, mais tarde eu falo realmente qual o problema. Mas eu adoraria bater um papo com alguém que eu ligasse lá do serviço: primeiro porque, não sei como, o pessoal reconhece a minha voz de longe *ironia* e segundo... colocar o papo em dia é saudável!
"Por gentileza, eu gostaria de falar com..."
"É tu, cara?"
"Sim! Tô trabalhando em Telemarketing... foi o que sobrou pra mim. E tu? Foi na festa que teve no sábado do nosso amigão lá?"
"Ah... sim! Neeem te preocupa: não perdeu nada... o cara tá tri bem de vida e tava lá, se gabando pros outros..."
"Não acredito... bem tipinho dele mesmo, né?"

- "Alô? Eu gostaria de falar com a -PESSOA DE NOME INCOMUM-. Como ela não tá? O telefone não é 33696969? Ué, mas ela me deu esse número. Foi engano, tchau."
Engano:
todos cometem, mas nem sempre se dão conta que o engano fora do simples errar de número na hora da discagem afobada.
Como eu tenho pavor de telefone, difícil eu ligar errado. É claro que sempre tem uma primeira vez... ao menos, antes de desligar, pedi muitas desculpas.
Tentei de novo e deu certo.
Eu tinha trocado um 6 por um 9.
Aliás, sugestivo o telefone do exemplo, não?
E não tentem...

E agora apresentamos os três tipos mais comuns de despedidas no telefone:

- "Pô cara, mas é isso aí, tenta fazer aquilo que eu te falei. Não. Sim, sim, isso mesmo. Pega a rua tal, entra na terceira casa e depois de lá tu pode pegar o ônibus tal. Não, não tem uma parada na frente, tu tem que caminhar no mínimo uns 2 quilômetros... ah! Para! Não reclama!...iiiih, já vai? Mas você ainda nem me contou aquilo. Deixar para amanhã? Putz, amanhã não sei se vai dar, me conta agora, bem rapidinho... é, eu tenho aquele curso e depois eu chego em casa e tenho a tarde livr.. ah, não, eu tenho médico. Mas o que aconteceu? Bá...que péssima. Ah, sim, claro...você tá indo dormir... mas tu entendeu o caminho? É bem simples né... ô, espera. Não desliga ainda. Assim, quando tu chegar na esquina, me dá um toque que eu levo o celular pra aula e deixo no silencioso, mas sempre tô com ele no bolso vendo se tem mensagem ou se tá perto do horário de ir pra casa. O quê? Não entendi. Ah, eu seeeei. Relaxa cara, você tá muito estressado. A noite é uma criança. Já tentou fazer acunpultura? Dizem que é muito bom, dá uns estralinhos na coluna quando pega a agulha. Ah, sei...tem que acordar cedo. Beleza. Até a próxima, mas...hein, sério, se precisar me liga mesmo, estou a disposição. Tchaaaaaau. Fica bem. Terceira casa, viu?"
NUNCA-DESLIGA: Sinceramente? Cansei de escrever tudo isso seguido como se fosse uma frasezona só. Esse é o cara que se pudesse investir naquele Plano Infinity da TIM e pagar cinquenta centavos a ligação pra falar eternidades, ele falaria. Tem assunto de sooooobra, normalmente é uma pessoa bem -e bota BEM- informada (ah, esqueci de que pode ser também informada de uma cultura meramente inútil).

- "AAAAH NÃO, MÔR. Desliga tu primeiro. Ai, eu não gosto porque daí parece que eu to desligando na tua cara. Vamos fazer o seguinte então, bebê: no três, tá? Um...dois...três! Beeeijo! Ai, tu nunca esquece disso né? Tá bom, tá bom, eu vou fazer de novo pra ti. Mas tem que comer tudiiiinho pra ganhar muito mais! Eu sei que você gosta, meu lindinho. Também te amo. No três, de novo? Ah, você faz eu me perder. Contigo eu tenho vontade de contar até mil (nota: BREGA.)! Um...dois...ah! como você é engraçadinho, né? Depois eu acho até que dá vontade de desligar na cara mesmo, bobão. Para com isso, amanhã a gente resolve, temos tempo. Foi? Um... dois... três! Tchau! Te amo muito, não esquece! Beijão! Beijão na boca! Seu lindo! Diz tchau logo! Tá! Tchau! Beijo! Boa noite! Te amo também! Tchaaaaau..."
APAIXONADO-RETARDADO: Nada contra, porque até eu tenho essa mania abobada. Só que é muito engraçado que a gente fala tuuuudo isso e, no final, era só pra gente desligar o telefone. Um tchau é suficiente. E essa contagem idiota até o três quase nunca funciona (não comigo!).
Nós tentamos nos enrolar...enrolar a pessoa do outro lado da linha... prolongando o máximo a despedida...
e conseguimos, né?

- "Então faz isso dessa forma, talvez encontre o que tu queira. Não, eu disse pra ela pegar dois, um pra mim e pra você, mas não sei se ela vai conseguir. É difícil... mas pode dar. Vamos torcer que sim... E se tu já tiver um, me avisa antes. (tu, tu, tu, tu....)"
DESLIGA-NA-CARA: Só pra caso alguém não tenha entendido, os tu-tu-tu's entre parênteses significa a pessoa desligando o aparelho de telefone.
Geeente, isso é um problemão sério! O meu pai sofre disso, é a coisa mais triste que poderia ter conhecido de mania dos meus pais. Tu tá alí, falando com a pessoa numa boa e de repente tu crente de que caiu a ligação porque tava chovendo lá ou qualquer coisa do gênero...mas nããão. A pessoa já falou tudo o que tinha pra falar e clica na porcaria do botão vermelho apavorada, porque não sabe dizer um tchau decentemente.
Quem não é acostumado com esse tipo, sempre acha que é falta de educação...
Acontece.

Cara, telefone é uma incógnita.
Aliás...
O problema citado na parte do Telemarketing é que eu odeio ficar sem assunto no telefone. E pessoalmente também. Bate um pavor tremendo, vontade de sair correndo e gritar qualquer coisa para que a pessoa responda. É o mesmo que fazer uma pergunta, sem ela ser respondida. É algo tipo... meio que... no vácuo, entende?
O pior mesmo é quando tu repete a pergunta... e continua aquele silêncio constrangedor, sabe?
Não que eu já não tenha feito o mesmo com uma pessoa, às vezes dá vergonha de responder, sei lá, mas ao menos precisamos de uma resposta convicta pra termos certeza de que a pessoa ainda se encontra na linha, né??
...ei.
Alô?

sexta-feira, 18 de março de 2011

A sweet vision...

Quadro da situação:
O paciente encontra-se em estado grave.
Olheiras profundas de uma provável noite maldormida.
O estômago parece cheio. A boca está suja de, além de sangue, muito vômito de uma comida suspeita (por muitos).
Há evidências claras de tentativas de suicídio com objetos pontiagudos como faca, estilete ou até mesmo uma furadeira.
Recados espalhados pelo quarto, em folhas de ofício rabiscadas, alertando seriamente: "eu tentei, mas não deu certo dessa vez, assim como na outra e o serão nas próximas...".
...
O real quadro da situação?
Uma mesa grande e retangular.
Uma pessoa ferida, com uma faca na mão recém saída de batalha, de um lado da mesa.
Curativos do outro lado da mesa.
Pessoa se esticando ao máximo pra alcançar os curativos para amenizar o ferimento inicial.
Faca da mão da pessoa é a tal famosa "faca-de-dois-gumes".
Logo, quanto maior o esforço de aproximação...
...maior o sofrimento.


Uma boa tarde a todos.
Ah, talvez nem tão boa assim! mas olhe que maldito post que de início já me vem com gente morrendo, gente triste, gente que precisa de outras gentes.
Tem mais essa chuva dos diabos que não para de cair. Ao menos pra alguma coisa serve: lembrando lágrimas derramadas ou algo do tipo.
Muito bem, vocês são sobreviventes de mais uma sangrenta (ou chorosa) guerra. E não se preocupe, os que ficaram no caminho não foram em vão. Ou foram, já que ninguém realmente lembra o nome de nenhum.
Pessoa número um.
Pessoa número dois.
Pessoa número três.
Um trio é o suficiente.
A vida não vai permitir além disso.
Chega de planos mirabolantes... aqui, é proibido fumar.
Largue o seu cigarro ex-tragado e assista à entrevista decentemente, sem se preocupar com alguma fumaça ou cheiro de roupa velha.

O reporter chega de fininho, como quem não quer nada mas louco pra publicar a porra de uma reportagem gigante no jornal:

"O que você verdadeiramente quer?"

"Sei lá. No momento, eu gostaria de um doce. Açúcar, assim (movimenta as mãos). Pra adocicar a minha vida."

O repórter apresenta uma bandeja com uma variedade imensa de doces.

"E então? Poderia responder à pergunta?"

"Obrigad*. (comendo o doce, respirando fundo, responde) Primeiramente, gostaria de dizer alô para a minha querida mamãe, já um pouco velha, mas acho que ainda me escuta e entende. Oi mamãe. E para o meu paizão também, graaaande pai, sempre me ajudando em tudo, coroa de bom coração. Eaí pai."

O repórter, já impaciente, troca o microfone de mão, enquanto o camera-man balbucia algumas palavras sem sentido, resmungando.

"O que eu verdadeiramente quero, ninguém verdadeiramente pode me dar..."

O repórter muito curioso, impaciente e já excitado com a resposta, procura explorar o máximo do psicológico da pessoa.

"E o que seria isso que ninguém pode lhe dar?"

"...e ninguém 'mentirosamente' pode me dar, também. Tenho um comentário a fazer, antes de mais nada: as pessoas têm se tornado muito previsíveis. Eu já li isso em algum lugar, mas eu faço questão de eu mesm* dizer. Veja bem, eu não quero te tirar para diário ou caderno de desabafo, mas eu tô precisando...cê me entende?"

O repórter pega um banco confortável e se senta, olhando o camera-man ainda em pé. Esse último faz o mesmo, acompanhando e sentando ao lado, ligeiramente fazendo um rápido BIP! com a câmera, desligando-a.

"Porra, bem que podia ter um chimarrão aqui, né? Mas agora não importa... antes que me perguntem: previsibilidade é uma coisa muito fácil de deduzir. Eu não gostaria de parecer nenhum super-heroi contando esse tipo de coisa, mas é que isso tem me assustado muito. Imagina você deduzir que certo horário, logo que você fez tal coisa, você deduz que vai morrer, porque tá na cara, e aí morre mesmo?"

"Talvez já fosse a hora..."

"...QUE HORA O QUE! Eu tenho muitos anos de vida ainda. Mais que felino e menos que Deus, se o acreditam em ambos os substantivos."

"É, É!" Concorda o camera-man, achando que qualquer palavra dita pela pessoa pudesse fazer alguma lógica.

"É claro que eu deduzi que eu não aguentaria e que eu chegaria a um fim trágico, mas não imaginei que fosse a tanto (passa os dedos suavemente pelo pescoço, sentindo o curativo de hospital)... Nunca brinquei com esse tipo de coisa. Aliás, isso não é brincadeira, eu sei. Eu só sei que é um desejo incontrolável. Já me diziam nos programas antigos de televisão: crianças, não tentem isso em casa. Desculpa mamãe, desculpa pai.

O camera-man já está lacrimejando, um homem batalhador, sensível. Nunca havia dado um stop em seu trabalho para perceber o que realmente acontece por fora das câmeras. E agora estava alí, ouvindo o depoimento de um suicída, não sabia se admirava ou se temia.
O repórter está muito pensativo, cada palavra ele selecionaria para depois passar pro jornalista que colocaria a tão esperada entrevista e tudo no jornal, tim-tim por tim-tim.

"Mas então... qual foi o motivo de tudo isso?"

"Não é só um motivo. Uma pessoa nunca tenta essas coisas graças a um motivo só. Imagina, se fosse assim, já teria muita gente se atirando pelas janelas, se cortando, explodindo a própria casa a cada segundo. Quantos problemas que as pessoas não enfrentam no dia a dia e ainda assim estão vivas, sem pular janelas, sem um corte visível ou marca e ainda morando na sua casa? É como uma bola de neve... quando ela começa a surgir, vai arrastando umonte de coisa e leva tudo. E o efeito é cumulativo. Nesse caso, não começou com uma bola de neve pequenininha e muito menos foi crescendo gradativamente. O problema já veio grande. Tipo uma pedra, um pedregulho (e as mãos faziam movimentos de como se fosse a pedra mais gigante do universo). E eu não consegui, infelizmente, tirar do meu caminho. Admito que tentei até chutar, mas machuquei o pé. E daí que veio o meu primeiro machucado. Quando eu fiquei de um lado da mesa, tentando alcançar o outro para me curar desse primeiro ferimento, já havia batalhado demais. Eu estava desgastad*. Cansad*. Ainda assim, com persistência e teimosia, é claro, porque as pessoas nunca acreditaram em mim nesse tipo de coisa, forcei a barra, querendo ir até o final..."

O repórter suspira, olhando o outro curativo gigante perto da costela da pessoa, sentindo a faca entrando vagarosamente... ele volta o olhar rapidamente à pessoa, sacudindo a cabeça e ouvindo a história.

"...Mas o outro lado da mesa também não me ajudou. O caminho que eu tive que percorrer com o braço, e ele não é tão curtinho não, ó (estica os dois braços) foi longo demais. Eu deixei escapar oportunidades reais, para me iludir com um pequeno curativo que tinha de fazer porque machucava. Minto, incomodava. Sabe aquela coceira de sempre que você tem e nunca consegue se livrar... e parece que, quanto menos você pensa nela, mais ela coça? Era mais ou menos isso, mas era dor. Vocês já devem saber soletrar. Dê-ô-érre. Dolorido, assim mesmo. E sangrou, nossa. Eu nunca tinha visto tanto sangue na minha vida. Acho que sou um pouco masoquista, mas não contem para ninguém, evitem botar isso no jornal... (risada tímida)
Só conto tudo isso pra vocês porque... bom, porque faz parte da vida. Tem gente que passa por coisa pior, que talvez não conte por não ter condições ou por não admitir lutar por aquilo que quer...(faz uma pausa longa)
...por mais impossível que isso pareça."


O repórter se levanta, tão quieto quanto o camera-man que se levanta também, e ambos vão para o centro de negócios.

"Uma última coisa! Obrigad* pelo doce, estava maravilhoso. As pessoas deveriam ingerir mais glicose quando esse tipo de situação acontecesse com elas. Adocica mesmo a vida(sorrindo)!"

Lá no centro de negócios, as pessoas trabalhavam incessavelmente. Era uma correria louca para todo o lado, telefones tocando sem parar, documentos voltavam, papéis eram rasgados, nomes eram gritados pra todo o lado em busca de mais materiais, de mais dinheiro, de um capitalismo talvez não tão feliz assim.
O repórter olha para o câmera-man, já desanimado ao sentir aquela euforia das pessoas em relação aos negócios e exausto com o mesmo ambiente diário para trabalho.
Em seguida, o jornalista se aproxima com um bloco de papel na mão esquerda e uma caneta preta na mão direita.

"E aí, novidades? Me conta, como foi. Tudinho.(abre o bloco e tira a tampa da caneta)"

"Eu não fiz entrevista alguma...foi mal aí. Não deu tempo, a tarde passou rápida e a pessoa não teve condições de responder. Sabe como é que é, tem algumas pessoas que preferem não admitir lutar pelo que desejam, e aí deu nisso."

"Hummm (suspeitando). Tudo bem. Só que lhe digo uma coisa...se você não conseguir uma última entrevista, você está fora daqui. Porque tem um lá que conseguiu hoje uma muito boa, algo com sexo e tal, isso chama a atenção. Morte ou suicídio também. Trata de dar um jeito aí. Tchau."

O jornalista dá meia volta e retorna ao seu escritório, pensando em outros planos para escrever alguma notícia interessante.
O camera-man fica impressionado com a reação deste, afinal, a dupla era uma das melhores que trabalhava ali sempre se esforçando e muito empenhada, mas dessa vez, somente nessa situação, chegou ao ponto do camera-man ouvir o BIP! da câmera, ouvir o chefe reclamar e quem sabe quando não chegasse em casa, ligasse a TV para ouvir mais desgraças no mundo.
E o repórter... bom, ele foi quem mais aprendeu com a história. Ele tirou suas próprias conclusões, mas não deu meia volta para voltar a trabalhar, muito menos queria voltar pra casa para ouvir a mulher reclamar que hoje não viu nenhuma entrevista na TV dele...
Ele queria muito mais.
Ele andou exatamente duas quadras depois do centro de negócios e entrou na segunda casa de coloração verde à esquerda do orelhão.
Era uma doceria.