quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Triste Desaniversário

Você não precisa gostar de completar tantos anos de vida.
Comemorar... por quê?
Ninguém sabe exatamente com que fim, mas todos o fazem.
Uns de formas mais simples, outros de formas mais complexas (leia-se muito cara).
O importante é que você está ficando mais velho.
E isso é o suficiente para deprimí-lo?

São 6 bilhões de pessoas no mundo e você é apenas mais uma sendo felicitada por sobreviver a essa imensidão.
Quem sabe um dia o mundo exploda.
Mas enquanto ele existe, você existe.
E se você existe, agradeça por isso.
Pense e agradeça pelo fato de você não estar no meio de muitas bombas, correndo o risco de perder a vida em um instante.
É claro que você corre o risco de ser assaltado, e morrer por aí.
Não é metendo medo.
É a realidade.
A triste, mas real.
Porém, todos nós corremos esse risco. É, você não está sozinho.
Não? Não.
Bem capaz.
Por mais insignificante que pareça pra muitos, até um cachorro se preocupa com você. O dono que dá a água fresca, a comida cara, o banho, o passeio... ele sente falta.
Interesseiro de uma figa.
Mas a morte é algo que ninguém sabe de nada, e todo mundo está sujeito a encará-la.
E eu já falei sobre o desconhecido num outro post. Preguiçoso de merda, vá ler os outros se estiver mesmo interessado nesse monte de palavras digitadas sem rumo.
É difícil dizer que não se tem medo. Medo tem. O que você pensa que acha que não tem é medo, mas no fundo você está é amedrontado que alguém descubra que você o tenha.
Peço desculpas pela confusão.
Fiquei assustada de como o tempo passa e como as coisas boas vão ficando pra trás.
Simplesmente as esquecemos, como o almoço de ontem.
Eu não lembro o que comi ontem.
Não sei porque, mas me vieram almôndegas gigantes na cabeça. E faz meses que não como almôndegas.
Desejo.
Olho grande, isso sim.
Aí você fica pensando que nos primeiros aniversários, você colocava trilhões de balões espalhados pra criançada e que no final da festinha não sobrava quase nenhum, porque ou eram pisoteados ou levavam pra casa pra murcharem num maldito canto.
Fru-fruzada: docinhos, salgadinhos, copinhos, garfinhos, brinquedinhos, presentinhos...e um bolo colossal só pra cantar parabéns com uma vela.
Isso vai até o "bolão" ficar com umas dez velas.
Daí em diante, é mais despreocupado. Largado. Pra quê todos aqueles balões se nem crianças mais tem?
Agora são adolescentes, são da tecnologia. Do emi éssi êni, do iogurti. Do clica-aqui-e-reflete-lá.
Só uma lembrancinha.
A variedade de comidas aumenta, mas nem tanto.
Novas bebidas surgem.
Álcool existe, agora. E depois que chega, ele fica até a última vela, com a desculpa de que te deixa mais desinibido.
Festa de 15 para as garotas. Hoje em dia, fiquei sabendo que para garotos também!
Uma caralhada de dinheiro. Presentão.
Dos 18~30, acredito que muda tudo.
Vai pro prático, simples e rápido: comemoração numa casa noturna, pizzaria ou o típico "churrasquinho". Noites longas.
Acabou.
Acabou o dinheiro para os presentes.
E os filhos da puta arranjam uns trocados pra comprarem um pinto de borracha nos 24 anos.

Passou tudo muito rápido, e estamos recém no trinta, ainda há muita vida pela frente.
Parabéns aos que terão filhos e que deixaram seu legado da espécie no mundo.
Que exploda de vez, mesmo.
Aos "Brás-Cubanos": "Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da miséria humana."
Muito bonito isso. Poético. Recomendo o livro, aliás.
Agora é só um abraço, um telefonema, um e-mail, um SMS.
Cadê todas as crianças?
São seus filhos, quem sabe vem aí um neto.
É só ter força de vontade e você poderá ainda vê-los enquanto estiver vivo.
Muita academia e alimentação saudável.
De vez em quando um churrasco aqui, só pra dizer que você ainda existe.

Minhas grandiosas palmas para uma sobrevivente de cinquenta e cinco anos, nova, com saúde física ótima, mas mental não tão perfeita assim. Quase querendo voltar à infância.
Não tem problema, o amor de filho não se importa com defeitos assim. E isso não é defeito, é apenas um pequeno problema, incomparável a tantos outros que conhecemos mundo afora e preferimos não aceitá-los.
A barra é pesada e tenho certeza que um ano a mais é menos doloroso do que um ataque cardíaco, um acidente de carro ou moto, uma facada, um estupro, um tiro no peito, um erro cirúrgico, um afogamento...
Sem mais desgraças.
É só o homem contra a natureza...
é só o homem contra o próprio homem.
Estamos acostumados.

Independente se há ou não alguém dentre 6 bilhões que se importe com a sua presença, comemore a sua vitória por esse caminho infernal - erga um copo da água, engula seu antidepressivo e feche os olhos. Boa noite.

Ele & Ela

Ninguém nunca pensou que um dia os papéis pudessem ser invertidos?
Leia e tire suas próprias conclusões.


Ele é baixinho e mais novo.
Ela mede 1,75 e tem 24 anos.
Ele é educado.
Ela fala palavrão.
Ele abraça e dá um beijo na bochecha.
Ela levanta o braço e acena de longe.
Ele calça 37.
Ela calça 40.
Ele é hipertenso.
Ela é diabética.
Ele usa regata justa de tons claros.
Ela usa camisa larga de tons escuros.
Ele chora.
Ela sorri.
Ele conta piadas.
Ela é irônica.
Ele crê em Deus.
Ela crê nas pessoas que lhe fazem bem.
Ele tem os dentes retinhos no lugar.
Ela nunca usou aparelho, mas precisa.
Ele faz natação e tira primeiro lugar.
Ela queima qualquer objeto em casa sem que ninguém veja.
Ele faz academia e mantém uma alimentação saudável.
Ela dorme o dia inteiro e comeu lasanha ontem.
Ele passa um fim de semana na casa dos amigos.
Ela viaja um fim de semana a trabalho.
Ele é compreensivo.
Ela é feminista.
Ele é sincero com palavras.
Ela é mentirosa com gestos.
Ele pega só uma, no máximo duas.
Ela participa da competição de quem pega mais.
Ele é cuidadoso e sempre tenta ajudar os outros.
Ela é debochada e ri das desgraças dos outros.
Ele desenha muito bem.
Ela não consegue fazer uma rubrica direito.
Ele gospe.
Ela cospe.
Ele odeia se apresentar em público.
Ela ama chamar a atenção e ser o centro das atenções numa apresentação.
Ele não torce pra nenhum time de futebol.
Ela é torcedora quase fanática.
Ele joga futebol no videogame.
Ela assiste ao jogo de futebol na TV.
Ele arruma a casa, lava a louça e varre os quartos.
Ela chega do trabalho cansada, joga os tênis pela sala e se atira no sofá.
Ele brinca.
Ela manipula.
Ele conta de 0 a dez.
Ela conta de dez a 0.
Ele gosta de salada de maionese.
Ela gosta de qualquer tipo de salada, menos salada de maionese.
Ele sente.
Ela pensa.
Ele é virgem.
Ela usa camisinha.
Ele quer amor.
Ela quer sexo.

Ele é nerd, usa óculos e, enquanto não a conhece, conversa por meio da internet.
Ela também.