terça-feira, 30 de agosto de 2011

Entre quereres e verdades.

Um almoço.
Queria que tivesse sido igual a qualquer outro.
Mas, na verdade, ele foi diferente.


Escolhemos uma mesa e sentamos nas cadeiras nada confortáveis.
Só porque têm aquela espuminha, não quer dizer que sejam necessariamente macias.
Eu queria que tivesse sido um almoço a dois.
Mas como eu não sei como seria, na verdade, foi a três.

Buffet com variadas comidas.
Desde carboidratos, proteínas e vitaminas até os lipídeos.
Eu queria ter comido todo aquele frango desfiado.
Na verdade, como eu sou tímida, eu comi mais salada.

E a hora da balança?
Acho que não vai sair tão caro, era tudo tão saudável!
Queria muito ter pago a minha conta.
E, na verdade, ele fez a gentileza de dizer: "coloca tudo na mesma comanda!"

Sem muito o que conversar,
Dizem que a hora da refeição é uma hora sagrada.
Eu queria um dia acreditar nisso
Quando, na verdade, abri a boca pra desabafar.

Um suco de pêssego, por favor. Para acompanhar.
Parecia mais doce que o normal.
Estava intacto. Intocável. Informal.
Um gole para saciar, um gole para falar.

Desabafando sem parar!
As bochechas coradas, cheeeia de graça.
Eu queria ter dito que estava apaixonada por aquele que estava na minha frente;
Quando, na verdade, eu só estava rindo da minha real desgraça.

O conselho, pra quê?
Foi tão natural, e ao mesmo tempo só queria ajudar...
Eu queria ter ouvido um: "Vai adiante! Quem almeja sempre alcança!"
E na verdade, ele recomenda: "Pega os teus livros e vai estudar!"

E agora, não podemos esquecer da melhor parte.
O que torna a nossa vida para ser vivida!
O doce.
Perfeita harmonia.
A sobremesa.
Paralela sincronia.
Eu queria ter pegado a variedade de sabores...
Mas na verdade, naquela hora morria de amores!

Já não queria saber de mais nada.
O momento foi importante, como tantos outros...
Eu queria admirar todo o dia os olhos verdes, caídos e sinceros
Mas, na verdade, eles prestavam atenção em alguns fios louros...

Magnífica mulher, distraída cicatriz...
O homem atento e encantado por aquela magia louca!
Eu queria que fosse um final feliz,
Na verdade, tudo se findou com um palito na boca.

Cicatrizes do envelhecimento
Todo mundo na sua hora.
Eu queria ter confirmado de pertinho,
E na verdade, logo contra-ataquei!
"Ela tem idade para ser tua mãe!"

E indo para a fila do caixa, o terceiro pagou a sua conta enquanto eu esperava o cartão passar.

"Tu acha mesmo?"
"É claro que sim."
"Vamos ver se o cartão que eu achei no chão vai passar."
"É claro que vai. Eu disse que eu queria pagar o meu..."

Que comanda graciosa!
Estava escrito apenas um L.
Que fome perigosa!
Era um L de Livre.

Ou talvez do que eu pude observar:
L da Liberdade.
Ou até mesmo do que era de verdade:
L de Lindo.

Antes de escrever, eu pensei bem:
Esse post vai para o meu mestre querido...
Quando então, na verdade, eu...

Quer mesmo saber a verdade?
A verdade é que eu escrevi ao meu melhor amigo!

Nenhum comentário:

Postar um comentário