sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Aqui, nessa mesa de bar...

Garçom.
Profissão que sei lá quanto deve ganhar. Não muito, pelo que já ouvi.
Mas é divertido, admite aí.

Claro que eu tenho uma leve pena dele. Ele é o poderoso, o paciente, o tranquilo e ao mesmo tempo o fingidor.



Resolvi fazer um post diferente (já com a ideia dos próximos na cabeça - "despedidas no telefone", "ele&ela" e "o cego"). Talvez não muito grande pra evitar cansaço, compensando o anterior que foi um texto bem longo.
Cansativo nem digo, porque minhas leituras são (e pretendo continuar assim) fáceis demais. Qualquer um lê, e entende.
OK, nem todo mundo lê. Nem entende.

Assim, tenho pena porque trabalhar nesse calor é foda.
Ouvi essa frase hoje e você vai entender porque é foda:
"Porto Alegre faz trinta graus na sombra e trinta e cinco no sol."

Não me pergunte. Eu também não entendi.
Foi uma cobradora de ônibus quem disse isso... mas não menospreze quaisquer profissão. Ela era mulher.
Era não, é.

E preste atenção sempre no que eu digo; elas ainda vão dominar o mundo.

Viraremos lésbicas e o mundo vai parar de procriar.
Merda.

O poder do garçom consiste no "mini" ou leve flerte com o olhar.
Adoro isso.
É interessante porque ele tá no trabalho dele e ele, na verdade, não pode fazer absolutamente nada.
Odeio isso.
Já encontrei muitos garçons (é essa a porra do plural?) bonitos, charmosos e atraentes (destaque aqui para a Grelhattus, uma galeteria onde, além deles serem tudo isso, são supereducados e calmos) e nenhum deles vai poder ser meu namorado um dia. Ou talvez sim. Não crio tantas esperanças, o flerte teria que ser bom pra cacete.
A paciência, grandiosa e exuberante, vem sei lá de onde. Eu já sou bem estouradinha, daí tu imagina um deles atendendo uma cliente chata como eu.
Existe uma linha tênue para a diferenciação de estouradinha ou chata para nojenta ou fresca.
Eu como de tudo.
Menos salada de maionese. Trauma dos meus dez, onze ou doze anos de idade que eu vomitei essa porcaria quatro vezes no ônibus.
Graças a Deus que eu não traumatizei com arroz. Porque saiu de mim muito disso também.
A tranquilidade é companheira da paciência. Acho que no momento que tu é bem paciente, tu acaba se tornando uma pessoa tranquila. Do tipo que vai até a mesa, leva o cardápio. Volta. Leva o bloquinho e começa a anotar bem devagarzinho todos aqueles mínimos detalhes:
Pra mim, um rodízio disso e daquilo.
E uma Coca-Cola bem gelada, sem gelo nem limão.
Porque Coca-Cola com limão é Pepsi Twist.
E Coca-Cola sem gelo é pela minha dor de garganta.

Não vamos ser hipócritas.
Quem não sabe que o garçom é o cara mais paciente e tudo de bom que já citamos aí... mas, no fundo, beeeem lá no fundo (infelizmente, o buraco é grande) ele é um completo fingidor.
Ele quer mais é que tu coma a primeira carne envenenada que ele tentou colocar entre os temperos dos Cheff's pra tu pagar a porra do rodízio de galetos e que ainda deixe os 10% pago.
10% não é muito caro.
Só que, numa galeteria como a Grelhattus, 100 reais vai facinho.
Acrescenta mais dez aí. É a porcaria dos dez por cento.
Mas pensa bem... releia o post (ou apenas o parágrafo acima) e veja por tudo o que ele passa.
Não é muito.
Pra ele, é muito.

Ele tem puta vontade é de arrancar aquele avental, a roupa engomadinha ou até mesmo o conhecido terno-e-gravata e ir jantar em algum lugar por aí.
Quem sabe num xis de esquina, onde não tenha um garçom no qual ele possa se enxergar.
Profissões entre profissões:
a maioria busca esconder uma a outra.
De acordo com a sociedade...
a melhor é ser Médico, mesmo.

E tu já pensou por tudo que um médico passa?
Pare.
Pense.
...
Respire, é claro.
Hospitais fedem.

Prefiro ficar na minha mesa do canto, número 14, sentindo o último gole da Coca-Cola quase quente rasgar a garganta.
E, obviamente, sem deixar de observar o movimento e esperar o garçom vir me flertar.

Um comentário:

  1. "Já encontrei muitos garçons [...] e nenhum deles vai poder ser meu namorado um dia. Ou talvez sim. Não crio tantas esperanças, o flerte teria que ser bom pra cacete." = "Namoro-Feriado"

    Hospitais têm um cheiro singular

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